Entenda a doença de crohn

A doença de Crohn é um tipo de doença inflamatória intestinal (DII) que pode afetar qualquer parte do aparelho digestivo, desde a boca até ao ânus. Os sintomas geralmente incluem dores abdominais, diarreia (que pode conter sangue no caso de inflamações graves), febre e perda de peso.
Podem também ocorrer complicações fora do aparelho digestivo, entre as quais anemia, exantema, artrite, inflamação do olho e fadiga. O exantema pode ser provocado por infeções, por pioderma gangrenoso ou por eritema nodoso. Também é comum a ocorrência de obstrução intestinal e as pessoas com a doença apresentam maior risco de cancro colorretal.




A doença de Crohn é provocada por uma combinação de fatores ambientais, imunitários e bacterianos em indivíduos geneticamente predispostos.O resultado é um distúrbio inflamatório crónico, no qual o sistema imunitário ataca o aparelho digestivo, provavelmente com o intuito de combater os antígenos microbianos. Embora a doença de Crohn esteja relacionada com o sistema imunitário, não aparenta ser uma doença autoimune (ou seja, não é o próprio corpo que ativa o sistema imunitário). Não é ainda claro qual é o problema preciso com o sistema imunitário, sendo possível que se trate de um estado de imunodeficiência.Cerca de metade do risco global está relacionado com fatores genéticos, nos quais estão envolvidos mais de 70 genes.Os fumantes têm um risco duas vezes superior de desenvolver a doença em relação a não-fumantes.A doença de Crohn tem muitas vezes início após uma gastroenterite. O diagnóstico é baseado numa série de observações, entre as quais biópsia e aparência da parede intestinal, imagiologia médica e descrição da doença. Entre outras condições que podem sintomas semelhantes estão a síndrome do intestino irritável e a doença de Behçet.




Não existem medicamentos ou cirurgias capazes de curar a doença de Crohn. As opções de tratamento ajudam a aliviar os sintomas, mantêm as remissões e previnem as recidivas. Em pessoas recém-diagnosticadas, é possível usar corticosteroides durante um curto período de tempo de modo a rapidamente melhorar a doença, em conjunto com metotrexato ou uma tiopurina para prevenir recorrências. Os fumadores devem cessar imediatamente o vício. Todos os anos, uma em cada cinco pessoas com doença de Crohn são admitidas em meio hospitalar e cerca de metade com a doença irá eventualmente necessitar de cirurgia num prazo de dez anos. Embora o recurso à cirurgia seja usado com a menor frequência possível, por vezes é necessário remover alguns abcessos, obstruções intestinais ou cancros. O rastreio de cancro intestinal através de colonoscopia é recomendado a cada cinco anos, com início oito anos após o início da doença.

A doença de Crohn afeta cerca de 3,2 em cada 1000 pessoas na Europa e na América do Norte. A doença é menos comum em África e na Ásia. Em termos históricos, a doença tem sido mais comum em países desenvolvidos. No entanto, desde a década de 1970 que as taxas têm vindo a subir, em particular nos países em vias de desenvolvimento. Em 2010, a doença inflamatória do intestino provocou 35 000 mortes,sendo a esperança de vida ligeiramente inferior em pessoas com a doença de Crohn. A doença tende a ter início durante a adolescência e na casa dos vinte, embora possa ocorrer em qualquer idade, e afeta de igual forma homens e mulheres. A doença tem o nome do gastroenterologista Burrill Crohn que, em 1932, em conjunto com dois colegas descreveu uma série de pacientes com inflamação do íleo terminal do intestino delgado, a área que mais frequentemente afetada pela doença.




O que se sente?

A Doença de Crohn costuma iniciar entre os 20 e 30 anos, apesar de ocorrerem casos também em bebês ou casos iniciados na velhice. Os sintomas mais freqüentes são diarréia e dor abdominal em cólica com náuseas e vômitos acompanhados de febre moderada, sensação de distensão abdominal piorada com as refeições, perda de peso, mal-estar geral e cansaço. Pode haver eliminação, junto com as fezes, de sangue, muco ou pus. A doença alterna períodos sem qualquer sintoma com exacerbações de início e duração imprevisíveis.
Outras manifestações da doença são as fístulas, que são comunicações anormais que permitem a passagem de fezes entre duas partes dos intestinos, ou do intestino com a bexiga, a vagina ou a pele. Essa situação, além de muito desconfortável, expõe a pessoa à infecções de repetição. As fístulas ocorrem isoladamente ou em associação com outras doenças da região próxima ao ânus, como fissuras anais e abscessos.
Com o passar do tempo, podem ocorrer complicações da doença. Entre as mais comuns estão os abscessos (bolsas de pus) dentro do abdômen, as obstruções intestinais causadas por trechos com estreitamento - causado pela inflamação ou por aderências de partes inflamadas dos intestinos. Também pode aparecer a desnutrição e os cálculos vesiculares devido à má absorção de certas substâncias. Outras complicações, ainda que menos freqüentes, são o câncer de intestino grosso e os sangramentos digestivos.
Alguns pacientes com Doença de Crohn podem apresentar evidências fora do aparelho digestivo, como manifestações na pele (Eritema Nodoso e Pioderma Gangrenoso), nos olhos (inflamações), nas articulações (artrites) e nos vasos sangüíneos (tromboses ou embolias).

A doença afeta qualquer porção do trato gastrointestinal, mas é mais comum no íleo terminal e cólon. Aí ocorre formação de granulomas e inflamação em setores distintos, intercalados de forma bem delimitada por outros completamente saudáveis (ao contrário das lesões difusas na colite ulcerosa-CI). A doença progride com alguns períodos sintomáticos interrompidos por outros sem sintomas. Pode progredir continuamente com deterioração das lesões, ou ser não progressiva, com regeneração das regiões atingidas entre as crises. Metade dos doentes apresenta lesões em ambos íleo e cólon, enquanto 25% apresentam-nas limitadas ao cólon.




Os sintomas mais comuns são:

Diarreia,
Dor abdominal,
Náuseas e vómitos
Febre moderada,
Sensação de distensão abdominal piorada com as refeições,
Perda de apetite e peso (podem provocar atraso de desenvolvimento e problemas de crescimento em adolescentes),
Fraqueza e cansaço,
Nas fezes pode haver eliminação de sangue, muco ou pus.
Outras crises que poderão aparecer, apesar de serem raras, são crises respiratórias em que a pessoa esta sempre com ataques violentos de tosse, principalmente durante a noite. A pessoa não consegue dormir deitada e com a força da tosse, por vezes vomita e fica com faltas de ar pouco prolongadas. Este episódio costuma demorar sensivelmente uma semana, dependendo dos casos.

Em alguns casos pode haver aftas, artralgias, eritema nodoso, inflamação nos olhos (conjuntivite secundária), problemas nos vasos sanguíneos (tromboses ou embolias), feridas retais e deficiência de ferro, vitamina B12 e ácido fólico.

Como é tratada a doença de Crohn?

O tratamento inicial é quase sempre médico. Não existe «cura» para a doença de Crohn, mas a terapêutica médica com o recurso a um ou mais medicamentos proporciona uma forma de a tratar, aliviando os seus sintomas. Em situações mais avançadas ou complicadas, a cirurgia pode ser recomendada. Quando ocorrem complicações como perfuração ou obstrução intestinal, hemorragia significativa, a cirurgia urgente pode algumas vezes ser necessária. Outras indicações menos urgentes para a cirurgia incluem a formação de abcessos, fístulas, atingimento ano-rectal severo ou persistência da doença apesar de tratamento médico correctamente efectuado (intractibilidade médica). Nem todos os doentes com estas ou outras complicações necessitarão de ser operados, devendo a decisão ser tomada conjuntamente pelo seu gastroenterologista e cirurgião colo-rectal.




Deverá a cirurgia se evitada a todo o custo?

Apesar de ser verdade que a terapêutica médica constitui a 1ª linha de tratamento, é importante ter presente que a cirurgia pode eventualmente vir a ser necessária em cerca de ¾ dos doentes. Muitos pacientes podem sofrer desnecessariamente devido a um receio errado de que a intervenção cirúrgica é perigosa ou conduzirá inevitavelmente a complicações. Embora a cirurgia não seja «curativa», muitos doentes nunca precisarão de voltar a ser operados. Hoje em dia a cirurgia baseia-se numa opção conservadora, através de uma ressecção limitada ou plastia do segmento intestinal doente, preservando-se o máximo de intestino possível. A cirurgia proporciona frequentemente um efectivo alívio a longo-prazo da sintomatologia, muitas vezes eliminando ou reduzindo a necessidade de manter a terapêutica medicamentosa. 

Como se previne?

Não há forma de prevenção da Doença de Crohn (DC).
Pessoas já doentes são fortemente orientadas a não fumar como forma de evitar novas exacerbações. O uso crônico das medicações usadas para o controle das crises não mostrou o mesmo benefício na prevenção de novos episódios, devendo, portanto, ser individualizada a manutenção ou a suspensão do tratamento após o controle dos sintomas iniciais ou de agudização.



Fontes bibliograficas:

http://www.proctos.pt/
https://www.abcdasaude.com.br
https://pt.wikipedia.org/wiki/Doen%C3%A7a_de_Crohn